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PS- Antes de começar, quero garantir que não me vão compreender mal. A situação que descreverei de seguida não pretende ser uma crítica. Conto apenas um episódio que me marcou, da maneira como eu vi as coisas.
Quando era miúda, tinha talvez os meus oito anos, admirei profundamente uma pessoa. Sonhava e esforçava-me por ser como ela. Tinha tudo o que eu admirava: inteligência, beleza, criatividade, espírito crítico… Era, aos meus olhos, quase perfeita.
Entretanto cresci e tanto eu como ela lutamos agora diariamente contra os problemas que a adolescência trás implícitos. Ela, como rapariga completa que é, tem passado por problemas que nem eu nem outras tantas raparigas tiveram de enfrentar. Sempre achei que isto fosse acontecer… Mas também sempre pensei que ela tivesse força para os enfrentar. No início desculpei-a mentalmente com “fases más e passageiras”. Agora, sinto a perfeição a escapar-lhe entre os dedos.
Hoje desiludi-me a sério. Porque mesmo sem ela saber, conseguiu disparar contra a minha maior fragilidade. Fiquei por momentos cega pela dor e quando recuperei a vista, tinha à minha frente uma pessoa que estou longe de conhecer minimamente. Talvez seja porque perdeu aquilo que eu mais admirava nela: os valores. Talvez seja porque se tornou em alguém que sempre criticou. Talvez seja porque, pura e simplesmente, não percebeu que me tinha magoado.
Aprendi uma coisa importante: sou o que sou e não há meio de mudar isso. Admiro agora as pessoas de uma maneira diferente. Admiro-as por me aceitarem assim, sem “ses” nem “porquês”, mesmo que eu não queira ser como elas…
1 Comments:
Vivo numa pequena cabana, perdida no meio do nada. Da minha cabana consigo avistar um série de grandes cidades imponentes, maravilhosas, orgulhosas e resplandescentes aos primeiros raios de Sol da aurora... Habituei-me todos os dias a levantar-me cedo para admirar o espétáculo da alvorada, era extasiante. Um dia acordei de madrugada, como sempre fazia, abri a porta e sentei-me na erva molhada pelo orvalho que os primeiros raios de Sol começavam agora a derreter...Sentei-me e observei o espetaculo, mas algo havia mudado! Uma das cidades tinha desaparecido do meu horizonte! Intrigado pus-me a caminho e fui verificar. Quando cheguei á orla da floresta que rodeava aquela cidade um vento pútrido invadiu-me as narinas e quase desfaleci. Ergui o olhar e o que vi chocou-me: ruínas e fumo. Só restavam pedras escurecidas pelo fogo, cinza a redominhar nos ares e aquele cheiro insupurtável. Já nada restava das altas cúpulas e pínacúlos brancos de pureza que resplandesciam ao Sol matinal que eu relen«mbrava... Então, quando realmente tomei consciência do que via caí de bruços e chorei. Chorei até á alvorada do dia seguinte. As minhas lágrimas nada mudaram e quando o Sol voltou a despontar no horizonte levantei-me resignado, limpei a cara e voltei as costas á aquelas ruínas e tive a certeza que não mais lá voltaria. Cheguei á minha cabana e admirei as outras cidades e senti reconforto: as outras continuavam no seu lugar, lindas como sempre foram: a Leal, a Sta Carolina, a Trindade... Lançei mais um olhar na direcção da cidade que agora marcava pela sua ausência e entrei na minha cabana. Todas as madrugadas continuei o meu ritual, mas não mais voltei a procurar aquela que desaparecera, habituei-me áqule pedaço de horizonte vazio...
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