Dá que pensar...
Em primeiro lugar, gostava de apresentar as minhas desculpas por estar, mais uma vez, a insistir na tónica do mundo político, mas ultimamente tem me dado para isto...
Aquando da leitura dos comentários sobre o meu último post "Quando eu for Grande" deu-me vontade de expor aqui, de forma mais concreta, o porque desta minha aversão á política. Fique aqui claro que, embora eu me enoje com a política, reconheço-a como uma necessidade das sociedades ditas civilizadas. Então, talvez o que me enoje não seja a política, mas os seus intrumentos e a forma como são ab(usados), ou seja, o Estado.
De qualquer maneira, este meu post não pertende ser uma discussão abstracta e filosófica sobre a política, mas sim a apresentação de casos concretos e reais. Porque a maioria destes casos involve pessoas amigas ou de família vou-me abstrair de usar nomes.
1º. Uma das primeiras imagens que me vem a cabeça é a de um amigo da família, uma excelente pessoa por sinal. Ora, já é corriqueiro, quando todos os anos rumamos ao Algarve para um bem merecido descanso à beira mar, pararmos na quinta deste amigo, ali para os lados de Palmela, tanto á ida como á vinda, para sermos presenteados com magníficos banquetes a que o dono da casa insite em dar a mera classificação de almoços. Ora num desses almoços, á beirinha daquela magnífica piscina, o assunto á mesa derivou para a política, isto porque tinham havido, há relativamente pouco tempo, as eleições legislativas e o Cherne tinha apresentado a sua proposta de governo. Ora, este amigo contava, em tom de confidência, que tinha sido convidado por três vezes para este governo, duas como ministro e uma como secretário de estado, e afirmava com orgulho que tinha negado as três: "Ora, vai um homem meter-se nisso para sair pior do que o que entrou! Nada se faz de nossa livre consciência, primeiro á que analisar os interesses do partido e dos que o apoiam. E se se arrisca, o mais certo é sair-se de lá com a imagem desfigurada..." O primeiro comentário veio de um primo afastado: " E esperto foste tu, pá!". Bem, é sempre muito bonito nós dizermos que temos de lutar para que as coisas mudem, mas corremos o risco de exagerarmos no idealismo. Podemos em consciência julgar este homem por não se meter no lodaçal político, quando tem uma família numerosa para sustentar (o sexto filho nasceu o ano passado), e as suas empresas dependem da sua imagem no mundo dos negócios? Podemos criticar este homem por não por o seu ganha-pão em risco? Não me parece...
2º Falando de um caso mais próximo, a minha família possui um terreno enorme junto á ribeira de Seiça, á saída de Ourém. Ora, a Câmara Municipal autorizou, há uns tempos, o depósito de terras nesse nosso terreno por parte dos seus veículos. Quando nos demos conta da situação, apresentamos queixa, como é óbvio. Vejam só como a política é mesquinha: o processo arrastou-se interminávelmente porque existe um indivíduo, que em tempos foi parte da minha família por afinidade, mas que eu hoje não considero coisa alguma, que se decidiu vingar de umas partilhas que não lhe agradaram. Não fosse termos um grande amigo na vereadoria que ao saber disso acabou com as histórias e lá fez recebemos um insípido pedido de desculpas da Câmara pelo "incidente", e ainda eram capazes de nos vir dizer que o terreno não era nosso. E aqui está como um cidadão necessita de cunhas para defender o que é seu de direito contra o interesse de outros mal-intencionados... O cúmulo disto deu-se quando, passados uns tempos, foi a minha família a necessitar de lá depositar terras. Recebemos em casa uma multa astronómica porque tinhamos depositado terras onde não o era permitido... Claro que fomos "fazer barulho" para a Câmara!! Então, as suas excelências podiam lá depositar a terra que bem entendessem mesmo não sendo deles o terreno, e os legítimos donos não?... Desta vez o amigo da vereadoria não pode ajudar, parece que a vingança desta vez vinha do topo... Não estivemos com meias medidas, ligamos para um primo afastado que trabalha num dos mais conceituados escritórios de advocacia do país e pedimos-lhe ajuda. Passados uns dias a Câmara recebeu uma carta desse nosso primo com o carimbo do escritório. Nunca mais se ouviu falar em multas...e o prazo já prescreveu...
3º Por último apresento-vos um caso com uma dimensão mais internacional. Um outro amigo de família foi, durante muitos anos, e até há bem pouco tempo, comissário da ONU. Penso que a instituição não carece que lhe apresente os créditos. Ora, este venerável senhor contava-nos histórias do "arco da velha" (perdoem lá a expressão). Bem podemos começar por, em números redondos e segundo as estatísticas internas da ONU, apenas 10% do que é doado chega ás pessoas com necessidades. Não se trata aqui de denegrir o trabalho das Nações Unidas, muito pelo contrário, porque dos restantes 90% "apenas" cerca de 20% se perde nos "canais subterrâneos" da organização, 70% do montante doado vai para os governos,guerrilhas e interesses que podiam dificultar a vida ás missões e que assim se mostram mais dispostos a colaborar. Havia ainda a história de um dirigente de um país africano corrupto. O povo dele andava a morrer aos milhões devido à fome e às epidemias, e ele exigia como condição para que a ONU se instala-se no seu país para ajudar apopulação, 80% do que fosse doado a nível munidal, mas não era para o Estado, era "pó bolso"! Eram condições insustentáveis e que a ONU não podia aceitar... Tiveram de ajudar clandestinamente como podiam o que se traduziu num apoio deficiênte e que causou a perda de milhares de vidas. Mas não se pense que este tipo de organizações é perfeito. Este mesmo amigo trabalhou numa outra no início dos anos 90 que se recusou a instalar-se num país africano porque o presidente, previdentemente, estipulou como condição que 75% do pessoal afecto á organização tinha de ser do seu país. Era uma forma de canalizar bastante dinheiro para o seu país visto que estas organizações pagam muito generosamente aos seus funcionários, mas a organização não aceitou. Segundo ele, que se encontra nesses meandros à anos: "É tudo uma cambada de oportunistas que quer é tachos..."!
Não são histórias do "ouvi dizer" ou do "contaram-me que lhe tinham contado"; são relatos verídicos. E são histórias como estas que me fazem ter nojo da política.
1 Comments:
A corrupção, oportunismo, e outros nomes negativos qualitativamente, apoderaram-se dos orgãos que regem a política, que por sua vez nos rege a nós.
É triste essa situação do destino das receitas da ONU. Setenta por cento - 70 %, (até escrevi por extenso...) para guerrilhas e coisas do género.
É o que digo: para além das parasitas e patogenes (aqueles 'bichinhos' que nos atacam) existem os germes, cientificamente classificados como patogenes, mas popularmente designados por políticos (aqueles 'bichãos' que nos atacam a carteira).
P.S. Para os germes popularmente conhecidos como políticos, ainda não foi encontrado qualquer tipo de pesticida nem de antídoto. Cuidado!!!
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